DEPARTAMENTO
ARQUITECTURA
UNIVERSIDADE 
AUTÓNOMA  DE
LISBOA

ARCHITECTURE 
STUDIO WORKSHOP

CASAS AÉREAS

UNIVERSIDADE DA MADEIRA

ATELIER FUNCHAL

patrocinador

apoios institucionais

parcerias

protocolos de cooperação

LABORATÓRIO 
FUNCHAL

FUNCHAL. A CIDADE.  THE CITY.

As planícies virgens repletas de funcho na zona baixa de um “anfiteatro” virado para o imenso Atlântico, reúnem as condições perfeitas para a ocupação humana. Por volta de 1420, com a implantação de uma rua paralela à praia, a Rua de Santa Maria, rapidamente controla as três principais fontes de água, fulcrais para o desenvolvimento urbano e comercial da Ilha da Madeira: as ribeiras de João Gomes, Santa Luzia e São João. 

A região ganha imponência e em 1508 é-lhe outorgado titulo de cidade. A primeira cidade portuguesa fora do território continental do país. Ao longo das décadas seguintes a cidade cresce essencialmente para norte, vagarosamente e acompanhando o leito das ribeiras. 400 anos depois continuava com o mesmo traçado, comprovado pela planta de Mateus Fernandes, que data da segunda metade do séc. XVI, que reflecte pela primeira vez sobre o modelo urbano português  levado para outros continentes: uma cidade litoral, flexível e programática. Na mesma época e por força da adversidade, a população exerce campanhas para a fortificação e protecção da cidade. Três belíssimos exemplares de Arquitectura Militar foram levantados e unidos por uma muralha que se encerra pela topografia: os fortes de São Tiago, São Lourenço e do Pico.

A cidade do Funchal estabeleceu uma relação muito vincada com o mar e as suas ribeiras desde o seu povoamento inicial, pelo fornecimento e exportação marítima e pela água preciosa das linhas de água. Até ao século passado as ribeiras estabeleciam pontuais acessos ao seu leito, geralmente para uso doméstico (lavadeiras), mas também para passeio nas zonas mais regularizadas. 


Bordejadas por plátanos formavam um passeio público com a presença constante da água e uma vista desimpedida da cidade até ao mar, ambiente que lhe emprestava o nome de rua das árvores.

Ao longo do tempo estas linhas orientadoras do crescimento da cidade, revelaram-se  acessos principais, foram sendo anuladas por estrangulando dos passeios e suprimidos os plátanos, que a pouco e pouco foram trocados por vias automóveis que distanciam a relação dos habitantes com estes monumentos hídricos. 

Como pensar, redesenhar ou repor, estes elementos tão vinculados à matriz da Cidade do Funchal?
 

OBJECTO

Programa de Projecto: Sistema hídrico urbano: as ribeiras e as casas aéreas no Funchal.

O trabalho proposto para este Atelier emerge de um conhecimento empírico e de uma investigação embrionária sobre o sistema de atravessamentos e passagens aéreas entre troços de cidade atravessados por ribeiras. 

O exercício coloca-se no encontro entre a transformação física de um lugar e a experiência politica de operação no espaço colectivo da cidade. Quatro tópicos organizam a elaboração do trabalho: 

ESCALA: A importância da escala na estratégia da intervenção. Atendendo às relações de proximidade mas também ao sentido que as ligações do espaço em continuidade promovem, a que escala deve ser abordado cada travessia?

PROGRAMA/USOS: Pela iconografia existente podemos constatar a co-existência da acção de travessia com a construção de casas e outros espaços de estadia. Que programas e usos podemos hoje juntar a estes momentos de ligação?

TEMPO: Absorver o passado e especular sobre programas que emergem de situações actuais, mas que se podem posicionar para além das contingências deste presente. Algumas ideias utópicas e experimentais foram objecto de trabalho das vanguardas históricas no início do séc. XX. Algumas podem hoje ser retomadas com grande sentido de realidade.

OBJECTIVOS

O objectivo deste Laboratório de Arquitectura é enunciar a construção de um conjunto de pontes como elementos de reconhecimento do importante sistema hídrico urbano do Funchal. 

Estas “Casas aéreas” ou “Fumos”, como também são conhecidas as pontes que outrora, como de barcos se tratassem, faziam a travessia entre margens ribeirinhas, continham ainda outros usos que se pretende recuperar e ampliar.

O trabalho prévio que se pretende construir, com desenhos de levantamento e mapas, diagnóstico histórico de fontes fotográficas e registos escritos, a desenvolver pelo Atelier Funchal, serão o suporte fiel de um desígnio arquitectónico latente na cidade.
 

LABORATÓRIO

A partir de bases cartográficas de tempos sucessivos cada grupo de trabalho deverá desenvolver uma proposta de atravessamento num troço de cidade eleito.


A execução dos trabalhos é uma experimentação rigorosa a partir dos métodos e processos de trabalho do Atelier Paulo David/Atelier Funchal, do Atelier GLOBAL/João Gomes da Silva e do Atelier RM arquitectura/ Rui Mendes. Investigação e execução de projectos a partir da eleição de: Sistemas de observação - experimentação entre o desenho e maquete - conceitos de construção entre o sistema natural e sistema artificial.

Os resultados deste laboratório de arquitectura constituíram um património de trabalho a disponibilizar publicamente através de um site, uma publicação online e uma publicação em papel que servirá de apoio a um conjunto de apresentações/exposições.


Este modo de colocar generosamente o pensamento e os meios da arquitectura para revelar potencialidades, enquadramentos estratégicos e técnicos, sobre temas na cidade do funchal,  é nossa convicção que deverá constituir um importante embrião para colocar com maior evidencia um caminho de reflexão para futuros desenvolvimentos.

O Workshop terá lugar num espaço reservado na Universidade da Madeira. A sala de trabalho estará aberta em permanência e permeável ao ambiente universitário. Aqui decorrerão as conferências em regime de aula aberta, apresentações com convidados e a exposição final dos trabalhos. Está prevista a edição de um caderno do workshop.


O desenvolvimento dos trabalhos de Projecto é complementado com visitas programadas: obras, caminhadas e reconhecimento do território da ilha.
 

Equipa/Laboratório

Rui Mendes, director

Ateliers residentes/Professores
Atelier Paulo David + Atelier RM arquitectura/ Rui Mendes

João Gomes da Silva /GLOBAL, Lisboa

Professores convidados
João Favila, Lisboa
Duarte Belo, Viseu

Duarte Encarnação, Funchal

Atelier convidado
José Maria Sanchez Garcia, Madrid

Produção
Atelier Funchal. Paulo David, coordenador

 

 

No passado dia 12 de Fevereiro encerramos a primeira edição do

"Casas aéras" workshop com a apresentação e exposição dos trabalhos.

Agradecemos a todos os participantes e convidados.

AMANDA CONDUTO . ANA SOFIA ALVES . ANA RITA GOMES 

ANA RAQUEL RODRIGUES . ANTÓNIO PINTO DE SOUSA . CAROLINA MARQUES 

CATARINA LOUREIRO . CATARINA PEREIRA . CATARINA RIBEIRO

DALILA FREITAS . DOMINIKA VAN EENBERGEN . FILIPA MINHOTO

FRANCISCO BRITO . FRANCISCO PAIXÃO . GUSTAVO TAKATA

LAURA NEVES . LUÍSA GONÇALVES . MANUEL RAMOS . MARIA QUEIRÓS

MARIA SANTIAGO . PEDRO BARROS . PEDRO GARCIA

RITA SÁ MACHADO . SAMUEL JARIMBA . SYLVIE CLARO

O resultado dos trabalhos desenvolvidos estará exposto na Sala dos Arcos, Colégio dos Jesuítas até dia 17 de Fevereiro.